Fundo imobiliário vende ativos ocupados por Assaí e Carrefour ao BTG em operação de R$ 672 milhões

Negócio envolve nove imóveis de varejo em diferentes estados e reforça estratégia de reciclagem de portfólio no mercado imobiliário corporativo. Uma operação de R$ 672 milhões movimentou o mercado imobiliário brasileiro e reforçou o apetite dos investidores por ativos de varejo com contratos de longo prazo. Os fundos imobiliários TRXF11 e TRXB11 anunciaram a venda de nove imóveis ocupados por grandes redes como Assaí Atacadista, Carrefour e Grupo Mateus em uma negociação estruturada com participação do BTG Pactual.

O portfólio negociado reúne aproximadamente 134 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) distribuídos entre São Paulo, Bahia, Pernambuco, Pará e Paraíba. Segundo os fundos, a operação foi fechada com valor cerca de 5,5% superior aos últimos laudos de avaliação dos ativos, indicando valorização dos imóveis e potencial geração de ganhos para os cotistas.

Estratégia busca destravar valor dos ativos

Entre os imóveis envolvidos estão unidades locadas ao Assaí Atacadista em cidades como Campina Grande, Paulo Afonso, Piracicaba e Jequié, além de um ativo ocupado pelo Carrefour em Jaboatão dos Guararapes e lojas operadas pelo Grupo Mateus.

A operação faz parte de uma estratégia conhecida como reciclagem de portfólio, movimento cada vez mais adotado por grandes gestoras para monetizar ativos maduros, reduzir endividamento e abrir espaço para novos investimentos com potencial de valorização.

De acordo com a gestora responsável pelos fundos, os recursos obtidos deverão ser utilizados, em parte, para reduzir aproximadamente R$ 186 milhões em dívidas vinculadas a certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), fortalecendo a estrutura financeira dos veículos.

Mercado mantém interesse por imóveis de varejo

A transação reforça uma tendência observada nos últimos anos: o aumento do interesse por imóveis locados a grandes varejistas por meio de contratos de longo prazo, considerados ativos de perfil defensivo dentro do mercado imobiliário.

O modelo tem atraído fundos e investidores institucionais em busca de previsibilidade de receita e proteção contra oscilações econômicas. Em fevereiro deste ano, o Carrefour já havia concluído outra operação relevante ao vender 22 imóveis ocupados por lojas do Atacadão para fundos imobiliários por R$ 975 milhões, permanecendo como locatário dos espaços por meio de contratos de longo prazo.

Recursos devem financiar nova expansão

Além da redução da alavancagem, a venda abre espaço para novos projetos dentro da estratégia dos fundos. Entre os investimentos anunciados recentemente está o desenvolvimento de um centro logístico built to suit (BTS) destinado à Shopee, no Paraná, em um projeto estimado em mais de R$ 135 milhões.

A movimentação evidencia como gestores vêm reposicionando seus portfólios para ampliar a exposição a segmentos com maior potencial de crescimento, como logística e infraestrutura voltada ao comércio eletrônico, sem abrir mão da geração recorrente de renda proporcionada pelos imóveis de varejo.

Com operações bilionárias e maior sofisticação financeira, o mercado de fundos imobiliários segue consolidando seu papel como um dos principais canais de investimento em ativos corporativos e comerciais no Brasil.

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