Estruturas que chegam a mais de 60 metros de altura transformam cidades em polos de turismo cultural durante as festas juninas, as gigantescas fogueiras de São João continuam entre os símbolos mais marcantes das festas juninas brasileiras. Presentes em diversas regiões do país, essas estruturas monumentais unem tradição religiosa, trabalho comunitário e turismo cultural, atraindo milhares de visitantes durante as celebrações dedicadas a Santo Antônio, São João Batista e São Pedro.
Herdada dos colonizadores portugueses e incorporada à identidade cultural brasileira ao longo dos séculos, a tradição permanece viva em municípios que transformaram a construção das fogueiras em verdadeiros espetáculos populares. Em alguns casos, as estruturas ultrapassam dezenas de metros de altura e exigem semanas de planejamento, engenharia e mobilização coletiva.
Segundo o historiador Bruno Campos, as fogueiras representam muito mais do que um elemento festivo.
“A fogueira de São João simboliza a união entre fé, comunidade e memória cultural. Trata-se de um patrimônio imaterial que preserva costumes históricos e fortalece os vínculos sociais por meio de sua construção coletiva”, afirma.
Pontal do Araguaia mantém tradição após erguer fogueira recordista
No Mato Grosso, o município de Pontal do Araguaia prepara mais uma edição da tradicional Festa de São João, que acontece entre os dias 25 e 27 de junho. Neste ano, a cidade constrói uma fogueira de aproximadamente 45 metros de altura, utilizando madeira de eucalipto de reflorestamento, a montagem começou cerca de 20 dias antes do evento.
O município ganhou projeção nacional em 2025 ao erguer uma estrutura de 69 metros, apontada pelos organizadores como a maior fogueira do país. A construção mobilizou equipes por cerca de 70 dias e consolidou a cidade entre os principais destinos das festividades juninas.
Segundo a organização, a queima da fogueira deste ano deverá durar cerca de uma hora e contará com monitoramento do Corpo de Bombeiros e áreas isoladas para garantir a segurança do público.
Jateí preserva tradição de 35 anos com fogueira de 65 metros
Em Jateí, no Mato Grosso do Sul, a Festa de São João será realizada entre os dias 27 e 29 de junho e terá como principal atração uma fogueira de 65 metros de altura, a estrutura é construída com madeira de eucalipto e demanda cerca de 38 dias de trabalho. A montagem envolve uma equipe especializada, que utiliza guindastes, tratores e sistemas de roldanas para posicionar as toras.
Entre os responsáveis está Francisco Raimundo Filho, operador de máquinas que participa da construção há mais de três décadas.
“A gente acompanha cada etapa da montagem e sente orgulho quando vê tudo pronto. É uma tradição que atravessa gerações e representa nossa fé”, afirma.
Após ser acesa, a fogueira deverá permanecer em chamas por aproximadamente quatro horas. A organização manterá um perímetro de segurança de 150 metros e contará com caminhões de água para apoio preventivo.
Cidade paranaense espera 80 mil visitantes
No Sul do país, o município de São João, no Paraná, também mantém uma das mais tradicionais celebrações juninas do Brasil, a festa ocorre entre os dias 18 e 21 de junho e deve receber cerca de 80 mil visitantes. A cidade ficou conhecida internacionalmente após deter, entre 2012 e 2024, o reconhecimento do Guinness World Records pela maior fogueira do mundo.
Para a edição deste ano, a organização prepara uma estrutura com aproximadamente 40 metros de altura, a montagem mobiliza 11 trabalhadores e segue o tradicional formato triangular, utilizando madeira de eucalipto. A queima está programada para a noite de 20 de junho e deverá durar até 12 horas. A área ao redor da fogueira contará com isolamento de segurança e apoio de caminhões-pipa.
Segundo a secretária municipal de Turismo, Grazieli Sbisigo, a tradição desempenha papel fundamental na identidade local.
“Mais do que atrações turísticas, as grandes fogueiras representam manifestações de fé e pertencimento. Elas movimentam a economia, fortalecem a cultura popular e mantêm viva uma tradição que atravessa gerações”, destaca.
Ao unir religiosidade, patrimônio cultural e participação comunitária, as grandes fogueiras de São João seguem iluminando as festas juninas e preservando uma das manifestações mais emblemáticas da cultura brasileira.


