Cidade catarinense exportou US$ 4,3 milhões em embarcações entre janeiro e abril de 2026, superando Palhoça e consolidando sua força na economia do mar. A indústria náutica brasileira registrou uma mudança importante em 2026. Itajaí, em Santa Catarina, passou a liderar as exportações nacionais de barcos de lazer e esporte, ultrapassando Palhoça, que havia encerrado 2025 na primeira posição do ranking.
Entre janeiro e abril deste ano, Itajaí exportou US$ 4,301 milhões em embarcações, enquanto Palhoça somou US$ 3,532 milhões, de acordo com dados do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
No período, o Brasil exportou US$ 12,686 milhões em barcos de lazer. Após Itajaí e Palhoça, aparecem no ranking Jaboatão dos Guararapes, com US$ 1,645 milhão, Guarujá, com US$ 1,506 milhão, e Curitiba, com US$ 1,020 milhão.
A mudança de liderança ganha relevância quando comparada ao desempenho do ano passado. Em 2025, Palhoça liderou as exportações do segmento com US$ 18,939 milhões, seguida de perto por Itajaí, com US$ 18,399 milhões. Nos quatro primeiros meses daquele ano, a diferença era ainda mais expressiva: US$ 7,426 milhões para Palhoça contra US$ 2,598 milhões para Itajaí.
Polo estratégico da economia do mar
O avanço de Itajaí reforça a posição do município como um dos principais polos da indústria náutica brasileira. A nova liderança ocorre às vésperas do Marina Itajaí Boat Show, marcado para os dias 2 a 5 de julho, considerado um dos maiores eventos náuticos da América Latina e o principal da região Sul.
A feira reúne embarcações, motores, equipamentos, acessórios, serviços e experiências voltadas tanto para compradores quanto para entusiastas do setor.
“Itajaí reúne indústria, infraestrutura, serviços e cultura voltada para as águas”, afirma Thalita Vicentini, diretora da Boat Show Eventos.
O protagonismo da cidade também está ligado ao crescimento da chamada economia do mar em Santa Catarina. Levantamento da Secretaria de Estado do Planejamento aponta que as atividades relacionadas ao uso produtivo do mar empregam cerca de 250 mil pessoas, o equivalente a 8,5% da força de trabalho formal do estado.
Entre março de 2025 e fevereiro de 2026, o segmento gerou quase 8 mil vagas com carteira assinada, respondendo por aproximadamente 13% do saldo total de empregos formais criados em Santa Catarina no período.
O levantamento considera atividades como pesca, aquicultura, fabricação de barcos e navios, transporte marítimo, turismo, logística, serviços e indústrias de apoio. Nesse cenário, Itajaí figura entre os municípios com maior concentração de trabalhadores ligados à economia do mar, ao lado de Florianópolis e Joinville.
Estados Unidos impulsionam exportações brasileiras
Parte do desempenho de Itajaí está relacionada à forte demanda internacional por embarcações menores e mais rápidas, especialmente na faixa dos 30 pés. Esse perfil tem grande aceitação no mercado norte-americano, principal destino das exportações brasileiras do setor.
Na Fibrafort, estaleiro sediado em Itajaí, o modelo mais exportado é a Focker 300 GTX. Equipada com motorização outboard, a embarcação é voltada ao lazer e à navegação em canais e áreas costeiras.
Em 2026, a empresa comercializou 20 unidades do modelo para o exterior e projeta exportar entre 100 e 120 embarcações ao longo do ano, tendo os Estados Unidos como principal mercado comprador.
A tendência também é observada em outros fabricantes nacionais. A NX Boats, sediada em Recife, tem na NX 340 Sport Coupé, de 34 pés, seu principal modelo de exportação. A empresa mantém operação própria em Fort Lauderdale e estima destinar entre 30% e 40% de sua produção ao mercado internacional. Até maio deste ano, cerca de 20 unidades da embarcação já haviam sido exportadas.
Mercado interno avança para embarcações maiores e mais sofisticadas
Se o mercado externo absorve principalmente barcos compactos e esportivos, a demanda doméstica segue uma trajetória diferente. No Brasil, cresce o interesse por embarcações maiores, mais sofisticadas e com maior valor agregado.
Esse movimento pode ser observado na estratégia da Azimut. Recentemente, Giovanna Vitelli, presidente global do Grupo Azimut-Benetti, confirmou uma nova etapa de investimentos na operação brasileira, instalada em Itajaí.
O plano prevê aportes de R$ 120 milhões destinados à expansão industrial, transferência de tecnologia e preparação da fábrica para produzir, em Santa Catarina, um megaiate de 30 metros avaliado em aproximadamente R$ 90 milhões.
Única unidade produtiva do grupo fora da Itália, a fábrica catarinense deverá ampliar sua área em 27 mil metros quadrados até 2028, alcançando 65 mil metros quadrados e tornando-se, segundo a companhia, a maior estrutura do segmento no país.
No mesmo período, a expectativa é que o valor da produção local aumente em cerca de R$ 300 milhões, aproximando-se da marca de R$ 1 bilhão.
O cenário evidencia uma dupla vocação da indústria náutica brasileira. Enquanto as exportações seguem impulsionadas por embarcações menores e de perfil esportivo, especialmente destinadas aos Estados Unidos, o mercado interno avança em direção a projetos mais complexos, luxuosos e de alto valor agregado, ampliando o espaço do Brasil na cadeia global da náutica.


