Fundador da FACYT, Héctor Laca saiu de casa aos 13 anos, construiu um dos maiores grupos de insumos agrícolas da Argentina e prepara uma nova fábrica de US$ 10 milhões, aos 13 anos, Héctor Laca deixou a casa da família no interior da Argentina em busca de independência. Mais de cinco décadas depois, transformou uma pequena operação financiada com dinheiro emprestado em um dos maiores grupos de insumos agrícolas do país.
Fundador da FACYT, conglomerado sediado na província de Córdoba, o empresário projeta faturamento de US$ 50 milhões em 2026 e já traça planos para ingressar no mercado brasileiro. Paralelamente, prepara a inauguração de uma nova planta industrial de US$ 10 milhões voltada à produção de fertilizantes de base biológica.
“Nasci para ser milionário”, relembra Laca ao contar a trajetória que começou no campo e o levou a construir um grupo que, segundo suas projeções, poderá alcançar valor de mercado entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões nos próximos anos.
Da pobreza no campo ao empreendedorismo
Nascido em uma família humilde na província de Entre Ríos, Laca é o décimo de 12 irmãos. Perdeu o pai aos cinco anos e cresceu em uma realidade marcada por limitações financeiras.
Aos 13 anos, após um desentendimento familiar, decidiu buscar o próprio caminho. Passou a trabalhar em uma carpintaria e, pouco tempo depois, já ocupava posição de liderança na serraria.
Mesmo jovem, continuava contribuindo com a renda da família. Paralelamente, desenvolveu habilidades em mecânica e música. Sem condições de comprar uma guitarra, construiu o próprio instrumento utilizando materiais da carpintaria onde trabalhava.
A experiência moldou uma característica que se tornaria marca registrada de sua trajetória: a disposição para criar soluções diante das dificuldades.
A criação da FACYT
Antes de empreender, Laca trabalhou em diferentes empresas e passou mais de uma década atuando na represa binacional de Salto Grande, entre Argentina e Uruguai.
Aos 45 anos, decidiu abandonar a estabilidade profissional para abrir o próprio negócio. Com US$ 2.500 emprestados por um amigo, mudou-se para Córdoba com a esposa e os dois filhos.
Em março de 1996, nasceu a FACYT.
Inicialmente sem estrutura própria de produção, a empresa terceirizava a fabricação dos primeiros produtos químicos. Com o passar dos anos, expandiu operações e consolidou presença nacional no setor de insumos agrícolas.
Modelo de negócios que impulsionou o crescimento
Hoje, a companhia opera cinco unidades industriais em Laguna Larga e mantém um portfólio com mais de 80 produtos, incluindo fertilizantes, inoculantes, fungicidas, herbicidas e inseticidas.
Um dos diferenciais da empresa está na estratégia de venda direta ao produtor rural. A operação conta com uma frota de 85 veículos que percorrem diferentes regiões do país realizando entregas e assistência técnica no campo.
Segundo Laca, essa proximidade com o agricultor foi decisiva para o crescimento da marca e para a fidelização dos clientes.
A aposta pioneira em bioinsumos
Muito antes de os bioinsumos ganharem relevância global, a FACYT já direcionava investimentos para soluções biológicas.
Há cerca de duas décadas, a companhia iniciou parcerias com universidades argentinas para desenvolver tecnologias voltadas à redução da dependência de produtos químicos tradicionais.
Entre os produtos mais importantes do portfólio estão soluções que melhoram a eficiência de aplicações agrícolas, permitem a combinação de diferentes defensivos em uma única operação e fertilizantes biológicos aplicados diretamente nas sementes.
Para Laca, a preocupação ambiental e a busca por maior eficiência produtiva justificaram a aposta antecipada no segmento.
Nova fábrica de US$ 10 milhões
O próximo passo da companhia será a inauguração de sua sexta unidade industrial, prevista para agosto.
O projeto recebeu investimentos de aproximadamente US$ 10 milhões e contará com equipamentos importados da Alemanha, Holanda e Itália.
A nova planta produzirá um fertilizante granulado capaz de substituir grandes volumes de ureia convencional, reduzindo significativamente a quantidade necessária para aplicação no campo.
Segundo o empresário, a demanda já supera as expectativas iniciais, impulsionada pelo aumento global dos custos dos fertilizantes.
A expectativa é que a nova operação contribua para elevar o faturamento anual do grupo para cerca de US$ 50 milhões.
Brasil entra no radar da FACYT
Entre os planos estratégicos da empresa está a expansão para o mercado brasileiro.
Os primeiros contatos já foram iniciados com produtores rurais na região de fronteira entre Argentina e Brasil. Recentemente, representantes da companhia realizaram reuniões exploratórias para avaliar oportunidades de negócios.
Laca acredita que o potencial agrícola brasileiro pode abrir uma nova fase de crescimento para a FACYT, especialmente no segmento de bioinsumos e fertilizantes de alta eficiência.
Oferta milionária recusada
Durante a pandemia, a empresa recebeu uma proposta de aquisição de um grupo norte-americano. Apesar do valor expressivo, o empresário decidiu rejeitar a oferta.
Segundo ele, além de considerar que a avaliação não refletia o potencial futuro da companhia, a negociação previa sua permanência na gestão após a venda — condição que não aceitou.
“Se eu vender, saio”, resume.
A decisão reforça a relação pessoal que mantém com o negócio criado há quase três décadas, frequentemente descrito por ele como um “terceiro filho”.
Visão de longo prazo
Ao longo de sua trajetória, Laca atravessou diferentes ciclos econômicos e sete governos argentinos. Apesar dos desafios, mantém uma visão otimista sobre o futuro do agronegócio no país.
Para ele, a combinação entre inovação tecnológica, sustentabilidade e aumento da produtividade continuará impulsionando o setor nos próximos anos.
Enquanto prepara a expansão da FACYT e a inauguração da nova fábrica, o empresário também celebra os 30 anos da companhia com o lançamento de seu primeiro livro, “De pobre a rico, pelo caminho correto”, obra em que compartilha experiências, estratégias empresariais e lições aprendidas ao longo da jornada.
Hoje, vivendo em Córdoba e à frente de um conglomerado que atende produtores em todo o território argentino, Laca mantém a mesma convicção que carregava na adolescência: a de que origem humilde não determina o destino de ninguém.


