Copa do Mundo de 2026 deve elevar gastos dos brasileiros, aponta pesquisa

Levantamento mostra que 60% dos consumidores pretendem desembolsar, em média, R$ 619 durante o torneio, mesmo diante do recorde de inadimplência no país. A Copa do Mundo de 2026 promete movimentar muito mais do que os gramados. O torneio também deve impulsionar o consumo entre os brasileiros, com gastos voltados para confraternizações, viagens, decoração temática, eletrônicos, comidas e bebidas.

No entanto, especialistas alertam que a empolgação típica de grandes eventos esportivos pode levar a decisões financeiras impulsivas e comprometer o orçamento familiar. Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, cerca de 60% dos consumidores pretendem gastar dinheiro durante a competição.

O levantamento aponta que o desembolso médio previsto é de R$ 619 por pessoa. Entre consumidores das classes A e B, esse valor sobe para R$ 784.

Consumo cresce em meio ao avanço da inadimplência

O aumento da intenção de consumo ocorre em um momento delicado para as finanças dos brasileiros. Dados da Serasa mostram que o país registrou 83,3 milhões de pessoas inadimplentes em abril, o maior número da série histórica, após 16 meses consecutivos de crescimento.

A faixa etária entre 41 e 60 anos concentra a maior parcela dos consumidores com restrições de crédito, representando 35,6% do total. Em seguida aparecem pessoas entre 26 e 40 anos (33,4%), acima de 60 anos (19,8%) e jovens de 18 a 25 anos (11,2%).

Para Léo Rizzo, CEO da Soccer Hospitality, empresa responsável pela operação de camarotes em alguns dos principais estádios do país, o consumo está diretamente ligado à experiência proporcionada pelo evento.

“A Copa do Mundo vai além do jogo. O torcedor busca entretenimento, experiências exclusivas e momentos de celebração. Além do impacto econômico, o evento cria oportunidades para marcas desenvolverem ativações e fortalecerem conexões emocionais com o público”, afirma.

Quando a emoção pesa no orçamento

Historicamente, grandes competições esportivas costumam estimular compras parceladas e despesas que não estavam previstas no planejamento financeiro.

De acordo com Patrick Santos, doutor em Economia e gerente de planejamento da Multimarcas Consórcios, a atmosfera criada por eventos dessa magnitude influencia diretamente o comportamento do consumidor.

“Grandes eventos como a Copa costumam gerar um sentimento coletivo de urgência no consumo. Muitas pessoas associam a participação no evento à necessidade de gastar com viagens, confraternizações, eletrônicos e entretenimento”, explica.

Segundo o especialista, o principal risco está na falta de planejamento. “Quando o componente emocional se sobrepõe à organização financeira, os impactos podem ser sentidos durante muitos meses após o encerramento da competição.”

Para quem já enfrenta dificuldades financeiras, o cuidado deve ser redobrado.

“Consumidores com dívidas em atraso precisam priorizar a reorganização do orçamento e a renegociação de pendências. Assumir novos compromissos financeiros durante a Copa pode ampliar ainda mais o problema”, alerta.

Patrick também chama atenção para um erro comum: utilizar crédito como complemento de renda.

“Muitas pessoas acreditam que pequenas parcelas cabem no orçamento, mas esquecem que esses valores se acumulam às despesas fixas dos meses seguintes. Quando a Copa termina, as dívidas permanecem e, frequentemente, acompanhadas de juros elevados”, destaca.

Diante desse cenário, especialistas recomendam estabelecer um limite de gastos para o período, evitar compras por impulso, pesquisar preços antes de adquirir produtos ou contratar viagens e fugir de parcelamentos longos para despesas de curto prazo. Com planejamento e controle financeiro, é possível aproveitar o clima da Copa do Mundo sem transformar a celebração em um problema para o orçamento.

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