Apartamentos compactos disparam acima da inflação e colocam Nordeste no radar dos investidores imobiliários

Apartamentos compactos registraram alta de 7,35% em 12 meses, superaram a inflação e se consolidam como uma das principais apostas para quem busca rentabilidade e valorização patrimonial no mercado imobiliário. O mercado imobiliário brasileiro tem assistido a uma mudança importante no perfil da demanda. Enquanto o tamanho médio das famílias segue em redução, os imóveis compactos ganham protagonismo e registram as maiores valorizações do setor. Nos últimos 12 meses encerrados em maio, os apartamentos de um dormitório apresentaram alta de 7,35%, liderando com folga o desempenho do mercado residencial.

Dados do Índice FipeZAP de Venda Residencial mostram que os imóveis compactos superaram tanto a inflação quanto outras tipologias residenciais, consolidando-se como uma alternativa cada vez mais atrativa para investidores em busca de valorização patrimonial e geração de renda.

O resultado ficou acima da variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,77%, e do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), de 1,95% no mesmo período. Em comparação, os imóveis de três dormitórios registraram a menor valorização entre os segmentos analisados, com alta de 4,73%.

Na prática, quem investiu em unidades compactas obteve ganho real de aproximadamente 2,58 pontos percentuais acima da inflação oficial.

Compactos concentram os maiores preços por metro quadrado

A forte demanda também colocou os imóveis de um dormitório na liderança do preço médio por metro quadrado no país. Segundo Renan Lopes, especialista em imóveis e sócio da Smart Leilões, a combinação entre alta procura, menor tempo de vacância e potencial de locação contribui para elevar a atratividade desse tipo de ativo.

De acordo com o especialista, apartamentos compactos costumam apresentar elevada liquidez e demanda constante, sobretudo em centros urbanos e destinos turísticos, características diretamente associadas ao potencial de rentabilidade para investidores.

O movimento acompanha a expansão do mercado de locações de curta temporada. Dados da consultoria AirDNA indicam que o número de imóveis anunciados nesse formato no Brasil saltou de 205 mil unidades em 2021 para mais de 619 mil em 2026.

Enquanto o preço médio de venda das 56 cidades monitoradas pelo FipeZAP ficou em R$ 9.809 por metro quadrado, as unidades de um dormitório alcançaram média de R$ 11.987 por metro quadrado. Já os imóveis de dois quartos apresentaram o menor valor médio, de R$ 8.813 por metro quadrado.

No recorte mensal, o índice geral avançou 0,42% em maio, desacelerando em relação aos 0,51% registrados em abril. Ainda assim, os imóveis de um quarto mantiveram desempenho superior à média do mercado, com valorização de 0,55% no período.

Nordeste ganha destaque na corrida por valorização

Embora cidades do Sudeste continuem liderando em preço absoluto, o ritmo de crescimento mais acelerado vem sendo observado no Nordeste. Capitais como São Paulo e Rio de Janeiro já operam com valores superiores a R$ 10 mil por metro quadrado, enquanto mercados nordestinos apresentam espaço maior para expansão e valorização.

Segundo Paulo Dornelle, fundador e CEO da Okre Imóveis, o desempenho da região reflete uma estratégia cada vez mais adotada por investidores que buscam antecipar movimentos de valorização em mercados ainda em fase de amadurecimento.

Na avaliação do executivo, o Nordeste reúne fatores como qualidade de vida, desenvolvimento urbano e expansão imobiliária, criando condições favoráveis para ganhos patrimoniais nos próximos anos.

Ele destaca ainda que, diferentemente de mercados mais consolidados do Sudeste, onde os preços já atingiram patamares elevados, diversas capitais nordestinas continuam oferecendo oportunidades de valorização acima da média nacional.

O cenário reforça a tendência de migração de investimentos para regiões emergentes, especialmente em segmentos ligados aos imóveis compactos, que seguem combinando liquidez, demanda crescente e potencial de retorno no longo prazo.

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