Mudança na jornada de trabalho preocupa setores de comércio, serviços e indústria, especialmente micro e pequenas empresas. Fim da escala 6×1, jornada de trabalho, Fecomércio-SP, custo empresas Brasil, redução jornada trabalho, mercado de trabalho, economia brasileira, micro e pequenas empresas, PEC escala 6×1, setor de serviços
A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 voltou ao centro do debate econômico e político no Brasil. Segundo estimativa da Fecomércio-SP, a mudança pode gerar um impacto adicional de R$ 158 bilhões por ano às empresas brasileiras, caso a jornada semanal seja reduzida de 44 para 40 horas sem redução salarial.
O tema ganhou força após o avanço do Projeto de Lei 1838/2026 na Câmara dos Deputados. O texto tramita em regime de urgência constitucional e deve ser analisado pelos parlamentares até o fim de maio.
A principal preocupação do setor produtivo está relacionada ao aumento do custo da hora trabalhada e aos possíveis efeitos sobre a competitividade das empresas, sobretudo entre micro e pequenos negócios, que concentram grande parte dos empregos formais no país.
Segundo a Fecomércio-SP, as micro e pequenas empresas — responsáveis por seis em cada dez empregos no Brasil — teriam maior dificuldade para absorver os novos custos operacionais.
Setores mais afetados
O estudo aponta que os segmentos de serviços, indústria e varejo seriam os mais impactados pela mudança. Apenas o setor de serviços poderia registrar aumento de quase R$ 77 bilhões na folha de pagamentos em um cenário de jornada reduzida para 40 horas semanais.
A indústria aparece na sequência, com impacto estimado em R$ 35,9 bilhões, seguida pelo varejo, com aproximadamente R$ 30,4 bilhões em custos adicionais. Segmentos intensivos em mão de obra, como comércio, logística, turismo e construção civil, também estão entre os mais vulneráveis.
Para representantes empresariais, a redução da carga horária sem aumento proporcional de produtividade pode pressionar margens, dificultar contratações e acelerar processos de automação e informalidade.
Debate divide especialistas
Enquanto entidades empresariais alertam para riscos econômicos, defensores da proposta argumentam que jornadas menores podem melhorar qualidade de vida, saúde mental e até produtividade dos trabalhadores.
Estudos sobre os impactos da medida divergem. Parte dos economistas acredita que a redução da jornada pode estimular novas contratações e aquecer o consumo. Outros apontam possibilidade de desaceleração econômica, aumento da inflação e perda de competitividade em setores estratégicos.
A discussão também ocorre em meio a mudanças globais nas relações de trabalho, com diferentes países debatendo modelos mais flexíveis de jornada e equilíbrio entre produtividade e bem-estar.
Governo negocia regra de transição
A proposta em análise prevê uma transição gradual. O acordo discutido na Câmara estabelece redução inicial da jornada de 44 para 42 horas semanais em até 60 dias após eventual aprovação da medida. Em um segundo momento, a carga cairia para 40 horas semanais ao longo de um ano.
Além disso, o texto prevê alterações no modelo da escala de trabalho, substituindo o atual formato 6×1 por um sistema 5×2 em diversos setores.
O tema segue mobilizando empresários, sindicatos e especialistas em mercado de trabalho, em um debate que deve ganhar ainda mais intensidade nas próximas semanas


