Estudo mostra que demanda por imóveis segue aquecida no Brasil, impulsionada pelo mercado de trabalho, aumento da renda e programas habitacionais. Mesmo diante do cenário de juros elevados e maior endividamento das famílias, o mercado imobiliário brasileiro continua demonstrando força. Uma pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, revelou que 49% dos brasileiros pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses.
O índice permaneceu praticamente estável em relação ao fim de 2025, quando marcava 50%, mas avançou cinco pontos percentuais na comparação anual. O levantamento reforça a resiliência do setor e indica que a busca pela casa própria segue como prioridade para boa parte das famílias brasileiras.
Segundo especialistas da Brain Inteligência Estratégica, o mercado de trabalho aquecido e o aumento da renda média ajudam a sustentar a confiança do consumidor mesmo em um ambiente de crédito mais caro. Dados recentes do IBGE apontam que o rendimento médio mensal real da população alcançou o maior nível da série histórica em 2025.
Casa própria continua sendo prioridade
A pesquisa, realizada em 221 cidades brasileiras, mostra que a maior parte dos interessados busca imóveis para moradia. Entre os entrevistados, 83% afirmaram que pretendem adquirir um imóvel para viver, enquanto 13% enxergam o setor como oportunidade de investimento.
Sair do aluguel segue como principal motivação de compra, citado por 38% dos participantes. Já o desejo de melhorar o padrão de moradia, adquirir imóveis maiores ou mais modernos também aparece entre os fatores que impulsionam o mercado.
O estudo ainda aponta que as chamadas “casas de rua” continuam sendo o modelo preferido dos brasileiros, escolhidas por 47% dos entrevistados. Os apartamentos aparecem na sequência, com 35% da preferência.
Minha Casa, Minha Vida ajuda a sustentar demanda
Outro fator apontado como relevante para o aquecimento do setor é o fortalecimento do programa Minha Casa, Minha Vida. A recente ampliação da Faixa 4, que elevou os limites de renda e financiamento, deve ampliar o acesso ao crédito para famílias de classe média nos próximos meses.
Atualmente, o programa já responde por quase metade das vendas imobiliárias realizadas no país. No primeiro trimestre de 2026, mais de 110 mil unidades residenciais foram comercializadas no Brasil, consolidando um dos ciclos mais aquecidos da última década.
Mercado imobiliário mantém apelo mesmo com Selic elevada
Embora os juros continuem pressionando o crédito imobiliário, especialistas avaliam que o imóvel segue sendo visto como patrimônio seguro e investimento de longo prazo, especialmente em períodos de instabilidade econômica. Discussões recentes em fóruns do setor e comunidades de investidores reforçam a percepção de que o mercado permanece resiliente, principalmente nos segmentos de alta renda e habitação popular.


