Os 10 países da OCDE com as menores jornadas de trabalho e o que isso revela sobre produtividade

Enquanto o Brasil avança no debate sobre o fim da escala 6×1 e a possível redução da jornada semanal para 40 horas, países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) já consolidam modelos de trabalho mais enxutos — muitos deles com médias inferiores a 35 horas semanais. A discussão ganhou força após a tramitação da PEC que prevê a adoção da escala 5×2 e uma transição gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas no país. Atualmente, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 33,2% dos empregos formais brasileiros ainda operam no modelo 6×1.

Dados recentes da OCDE mostram que economias desenvolvidas vêm reduzindo o tempo dedicado ao trabalho sem perda relevante de competitividade. Em muitos casos, o movimento está associado a ganhos de produtividade, automação e novas estratégias de gestão corporativa.

Menos horas, mais produtividade

A Alemanha se tornou um dos principais exemplos dessa transformação. Um experimento conduzido ao longo de 2024 com o modelo de semana de quatro dias levou 73% das empresas participantes a manterem o formato permanentemente. Os resultados apontaram manutenção de receita, aumento de produtividade e melhora nos indicadores de bem-estar dos funcionários.

Especialistas apontam que avanços tecnológicos, inteligência artificial e automação têm permitido ganhos de eficiência operacional capazes de sustentar jornadas menores sem comprometer resultados financeiros.

Além disso, a discussão deixou de ser apenas econômica e passou a incorporar fatores relacionados à saúde mental, retenção de talentos e qualidade de vida — temas cada vez mais relevantes para grandes empresas e governos.

Os países da OCDE com as menores jornadas

Entre os países da OCDE, as menores médias semanais de trabalho estão concentradas principalmente na Europa. Segundo os dados mais recentes, Alemanha, Noruega, Holanda e Áustria aparecem entre os destaques, com cargas horárias abaixo de 35 horas semanais.

O avanço desses modelos ocorre em paralelo à reestruturação do mercado de trabalho global, impulsionada pela digitalização, pela automação e por novas demandas geracionais em torno de flexibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Brasil acompanha tendência global

Na América Latina, países como Chile, Colômbia e México também iniciaram processos de redução gradual da jornada de trabalho nos últimos anos. Em alguns casos, as mudanças ocorreram sem redução salarial e com apoio parcial do setor empresarial.

No Brasil, o debate sobre a escala 6×1 passou a ganhar relevância não apenas entre trabalhadores, mas também no ambiente corporativo e político. A proposta em discussão prevê uma implementação escalonada, com redução inicial para 42 horas semanais antes da chegada ao teto de 40 horas.

A discussão reflete uma mudança mais ampla no conceito de produtividade no mercado contemporâneo: trabalhar menos já não é necessariamente sinônimo de produzir menos. Em algumas das maiores economias do mundo, o modelo de jornadas reduzidas vem sendo tratado como ferramenta estratégica para elevar eficiência, atrair talentos e melhorar indicadores de saúde e satisfação profissional.

Lista dos países da OCDE com as menores jornadas médias de trabalho semanais:

 

  • 1. Holanda — 30,3 horas por semana
  • 2. Dinamarca — 32,8 horas
  • 3. Alemanha — 34,2 horas
  • 4. Noruega — 34,4 horas
  • 5. Áustria — 34,8 horas
  • 6. Bélgica — 34,9 horas
  • 7. Irlanda — 35,1 horas
  • 8. Finlândia — 35,4 horas
  • 9. Austrália — 35,6 horas
  • 10. Suíça — 35,8 horas
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