Kleber Mendonça Filho transforma Recife em vitrine global do cinema brasileiro

Foto: Reprodução

A cada novo filme, o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho leva fragmentos profundos do Brasil para as telas do mundo, longe de estereótipos tropicais e mais próximos das tensões sociais, das relações de classe e das rotinas que moldam o cotidiano urbano. Recife, sua cidade natal, é o ponto de partida recorrente dessas narrativas que conquistaram festivais e críticos internacionais.

Desde os curtas Vinil Verde (2004), exibido na Quinzena dos Realizadores de Cannes, e Recife Frio, premiado em festivais nacionais, Kleber já demonstrava domínio narrativo e um olhar atento ao espaço urbano. O reconhecimento ganhou força com os longas O Som ao Redor (2012) e Aquarius (2016), que colocaram o diretor no centro do cinema autoral contemporâneo.

O percurso internacional se consolidou com Bacurau (2019), codirigido com Juliano Dornelles, vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes, e com o documentário Retratos Fantasmas (2023), que percorreu festivais e figurou entre os melhores filmes do ano segundo o The New York Times.

Agora, o maior alcance da carreira vem com “O Agente Secreto”, novo longa-metragem do diretor. Em cartaz nos cinemas brasileiros desde novembro, o filme foi escolhido para representar o Brasil no Oscar 2026 e conta com distribuição internacional da Neon e da MUBI. Ambientado em 1977, durante a ditadura militar, o thriller acompanha um homem misterioso em fuga pelas ruas do Recife, cidade que novamente assume papel central na narrativa.

Estrelado por Wagner Moura, ao lado de Maria Fernanda Cândido e um grande elenco, o filme conquistou Cannes mais uma vez, garantindo os prêmios de Melhor Direção para Kleber Mendonça Filho e Melhor Ator para Moura. O reconhecimento impulsionou ainda mais o momento positivo do cinema brasileiro no exterior, que ganhou projeção recente com a vitória de Ainda Estou Aqui no Oscar 2025.

A atuação de Wagner Moura vem sendo apontada por veículos internacionais como uma das mais fortes do ano, com chances reais em premiações como o Globo de Ouro 2026. O longa também entrou na lista dos dez melhores filmes de 2025 do The New York Times.

Apesar das comparações com thrillers internacionais, Kleber reforça que O Agente Secreto mantém identidade própria. “Há elementos de gênero, mas é um filme brasileiro, com uma realidade muito brasileira”, afirma. Para ele, a recorrência de Recife não é escolha estratégica, mas afetiva. “As pessoas perguntam: ‘por que Recife de novo?’. E eu respondo: ‘porque eu sou do Recife’.”

Ao transformar sua cidade em cenário universal, Kleber Mendonça Filho reafirma Recife como potência cinematográfica global e consolida seu nome entre os principais realizadores do cinema contemporâneo.

Próximo post
Diretor da Redepharma participa da celebração dos 20 anos da Intercron em São Paulo
Post anterior
CNC projeta crescimento do varejo em 2025 e 2026 após desempenho positivo em outubro