O volume de imóveis nas cidades do país está crescendo mais que a própria população.
A constatação é de um estudo publicado nessa quarta-feira (26), pela WRI Brasil, intitulado “Trinta anos de expansão vertical e horizontal em cidades brasileiras”. A pesquisa traz dados sobre a evolução da forma urbana de todo o país entre os anos de 1993 e 2020.
No estudo, o território das cidades foi segmento em parcelas e, para cada uma dessas áreas, foi identificado o crescimento populacional e o tipo de expansão predominante nas últimas três décadas. Para isso, foram utilizados uma combinação dos dados de sensores de radar, do MapBiomas e do IBGE.
O município de Campina Grande, localizada no Agreste paraibano, foi citado na pesquisa no Grupo Cidades em espraiamento moderado, ou seja, que está em expansão horizontal moderada, onde estão a maioria das concentrações de médias e pequenas porte com menos de 500 mil habitantes, 26% do total.
Foi indicado no texto que a Rainha da Borborema têm áreas em estabilidade, áreas em expansão horizontal moderada e pequenas áreas em forte expansão horizontal.
Os outros três grupos são: Cidades em espraiamento intenso (forte expansão horizontal), Cidades em estabilidade e Cidades em contínua verticalização (expansão vertical moderada ou forte expansão vertical).
Além de Campina Grande, outros municípios do Nordeste foram citados no estudo, como Natal, que apresentou um crescimento rápido e plenamente horizontal e está no grupo de cidades com o processo de espraiamento intenso.
Aracaju também citada no grupo Cidades em espraiamento moderado, está com as áreas em expansão horizontal moderada.
Já Fortaleza e Salvador foram classificadas no grupo de cidades em contínua verticalização.
Em um dos gráficos da pesquisa mostra que em 2014, teve um ponto de inflexão que corresponde ao forte impacto na construção civil brasileira da crise econômica que atingiu o país. A expansão horizontal passa a desacelerar bruscamente, enquanto a expansão vertical inicia uma nova aceleração, como a registrada nos anos 1990.
De acordo com o gerente de desenvolvimento Urbano da WRI, Henrique Evers, o estudo permite ir além da identificação do crescimento das áreas urbanas, alcançando também o entendimento de como cada cidade cresceu a partir do cruzamento de dados demográficos, de uso do solo e de mapeamento do volume das formas urbanas.
“A gente a partir desses dados conseguiu categorizar alguns tipos de cidade. Cidades que apresentaram, nesses 30 anos, um crescimento horizontal mais intenso, que a gente chama de cidades em processo de espraiamento intenso. Cidades que ainda tiveram um processo de espraiamento horizontal, mas um pouco mais melhorado. Cidades que estão estáveis e cidades com uma verticalização”, explica.
O estudo considera pequenas cidades as que concentram menos de 500 mil habitantes (143, ou 77% do total), médias aquelas que contabilizam entre 500 mil e 1 milhão de habitantes (totalizando 20 concentrações, 11% do total) e grandes as que contam com mais de 1 milhão de habitantes (22 concentrações, 12% do total).